Jô Bilac assina texto de “A dona do fusca laranja”, com história biográfica da atriz Camila Rhodi

A dona do fusca laranja é uma performance-instalação autoficcional que fala de perdas, leva espectadores para passear de fusca pela cidade, inclui jam de vídeos comandada pelo designer Ricky Seabra, com trilha sonora do músico performático Siri. A dramaturgia de Jô Bilac é inspirada em fatos reais, ocorridos com a atriz Camila Rhodi. O roubo do fusca da atriz, um episódio particular e biográfico, serve de gancho para tratar de um tema universal: a perda. A encenação de Fábio Ferreira dialoga com diversas formas de artes, inclusive recursos digitais. A peça estréia dia 8 de abril às 17h, no Oi Futuro Flamengo.

A performance acontece em três momentos.  O primeiro momento é muito exclusivo, apenas para os três passageiros do fusca. Ele tem início às 17 horas, quando o fusca dirigido pela atriz Camila Rhodi parte do Oi Futuro Flamengo com apenas três passageiros, para circular pelas ruas da cidade com a Dona do Fusca. Cada dia haverá um roteiro diferente de ruas, histórias e acontecimentos, que se repetem a cada semana. São três diferentes histórias que serão contadas uma a cada dia (sexta, sábado e domingo). O público é assim conduzido a partir dessas histórias, autoficcionais, da atriz com o seu fusca. Dessa forma, ele é capaz de se identificar, rir e se sensibilizar com essas histórias cotidianas. Durante o “passeio”, tudo que acontece e se fala dentro do fusca, e a reação dos caronas, está sendo filmado por duas câmeras, uma na parte da frente e outra atrás do carro.

O segundo momento é para todas as pessoas que circulam pelo Oi Futuro Flamengo. Ele começa logo após os passageiros serem deixados no Oi Futuro, quando a atriz parte novamente dirigindo o fusca e vai para um ponto da cidade onde o fusca tem uma história – onde ela viu o carro pela primeira vez, onde ele foi roubado, etc. Nesse local, estacionado, a atriz fica numa clausura, com as câmeras ligadas, transmitindo em tempo real para o Oi Futuro, ela escreve, escuta os cassetes que costumava ouvir no carro roubado, convida pessoas que estão na rua para conversar, telefona do celular e marca encontro com amigos, fala com as pessoas do Oi Futuro, onde no foyer, entre 19h e 20h, estará acontecendo uma jam de vídeos comandada pelo designer Ricky Seabra, que tem uma mesa de cortes com imagens do material gravado durante o passeio com os três passageiros e as câmeras em tempo real (da clausura da atriz), com trilha sonora do músico performático Siri. Neste período acontece um pequeno show de imagem e som.

E o terceiro momento é para as 50 pessoas que adquiriram os convites. Neste momento a atriz Flávia Espírito Santo interpreta uma guia do “Museu do fusca”. Quando o fusca chega com a atriz, no foyer do Oi Futuro tem início a dramatização do “Museu do fusca”, quando serão expostos tudo o que não foi roubado com o carro, inclusive a própria Camila Rhodi. Neste momento será narrado várias circunstâncias do fusca. Haverá também textos falados e gravados, de textos de e-mails recebidos pela Camila Rhodi, depois do roubo do fusca, que serão lidos pelos próprios autores e exibidos por pequenas três telas localizadas junto a exposição.

A narrativa sobre o roubo do fusca é o mote que Jô Bilac usa para tratar de algo bem mais universal: a perda! Assim, toma o argumento autobiográfico para se perguntar como cada um de nós pode lidar com isso.

Com A dona do fusca laranja, a atriz Camila Rhodi dá continuidade a experiência narrativa contemporânea autoficcional iniciada com o espetáculo A Filha da Chacrete, de 2008. Segundo a atriz “a escolha pela autoficção como narrativa cria um paralelo à cultura do narcisismo da sociedade midiática e também reflete esse sujeito que se cria ao longo dos séculos. Através da memória se possibilita o resgate a importância da simplicidade como instrumento de reflexão sobre as diversas possibilidades na vida de cada pessoa.”

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